11 de agosto de 2010

Impressões sobre separação

Separar é um ato heróico. Juro por Deus. Por mais que a lista de prós e contras esteja pregada na geladeira e a necessidade  de viver sozinho esteja mais do que justificada e evidente. Concordo com um monte de coisas que li aqui e acolá nessa última semana sobre o assunto, o amor que vira amizade, ou inimizade, mas não encontrei nada que falasse do vazio . Uma amiga psicóloga me disse que, no início, a dor  fica pior e que é muito ruim, mes-mo.(Palavra de quem já se separou).
Sou filha de pais separados, ambos já  me falaram a respeito de seus motivos, ambos casaram-se de novo, meu pai passou novamente por uma separação e já está em outro casamento.Mas deve ter coisa que não se ensina a filho... o que fazer  desse  hiato cinza, esquisito e triste? Falo da hora, da hora H. Será que se deixa  agendado ou simplesmente espera-se pelo melhor dia? Será melhor em dia de sol ou de chuva? Deve-se olhar nos olhos? Porque a separação não é só de corpos, ela é  de sonhos, de domingos, de almoços, de  pés encostados na cama, de  compras no mercado, de contas conjuntas, de cachorro-quente dividido na rua, do bicho de estimação (pois alguém fica com ele), da sogra ou do primo legal, da voz ao telefone no meio do dia, de lembranças de um tempo feliz  e de projetos para o futuro. E aquela casa que não se comprou, aquele móvel que escolheram juntos e não deu tempo ainda de colocar na sala, o show que queriam ir? Será que na hora de ir embora essas perguntas brotam nos olhares? Acho que sim. Acho também que para isso não se prepara. Faz parte da vida adulta. Deve doer bastante, deve dar dor de barriga. Mas passa.
 Conheço muita gente separada. Bem separados, mal separados e aqueles que nos dão a sensação que a coisa "nem fede, nem cheira." Os bem separados se separaram e conseguiram se tornar amigos. Refizeram suas vidas e aparentemente estão felizes.Se tratam com cordialidade, coisa de gente evoluída. Os mal separados não se falam. E só. Provavelmente não digeriram a história. Talvez ainda se amem ou realmente se odeiem. Considero isso muito triste. Pendência para outra vida...para os imparciais, a coisa foi natural. Acho que nem lembram o tempo em que dividiam o mesmo teto. Melhor esquecer, em alguns casos! Mas não se incomodam...o que, a meu ver, já é muito bom.
Apesar da vida inevitavelmente andar e da separação ser natural aos relacionamentos, ainda acho que é preciso muita coragem. De mudar. De ficar só. De provocar a dor da ausência em você e  no outro. Recomeço. Novos móveis, novo endereço, novo corte de cabelo (todo mundo muda o cabelo...). Novos sonhos. Hora de  comprar muitos livros, de visitar aquele amigo que está longe e sempre te convidou.Hora de chorar... de saudade. Não do amor que deixou para trás, até porque, a lista da geladeira tinha muito mais contras...mas do amor que não tem.Não tem ninguém ali, ninguém vai chegar. Os domingos vazios virão. Não tem jeito.Pelo menos por enquanto. Mas também é hora de ficar mais bonito... para o novo que também virá. E o novo sempre vem quando a gente entende que é a nossa hora de mudar.

13 comentários:

  1. Será que entendi??!!

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  2. Que engraçado... Deixei um comentário lá no "Noites em Claro" dizendo que eu tenho um post agendado pra amanhã falando mais ou menos sobre o tema separação. São duas postagens seguidas porque era algo que eu queria fazer há um tempo. E aí leio seu post com o mesmo tema aqui também... Hoje foi dia! rs

    Gostei muito da forma como vc abordou o tema. Seus textos são muito sensíveis. :-)

    A minha visão vai ser de quem passou isso na pele e com filha pequena. Mas sobreviveu pra contar... rs E mudou pra melhor!

    "Os domingos vazios virão. Não tem jeito.Pelo menos por enquanto. Mas também é hora de ficar mais bonito... para o novo que também virá. E o novo sempre vem quando a gente entende que é a nossa hora de mudar."

    É bem por aí. ;-)

    Beijos!

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  3. Ai Jan, tem que ter coragem mesmo...
    coragem de se RE-Conhecer, Re-Educar, Re-amar...
    eu só teria se soubesse que não tem mais jeito mesmo,não faz sentido.
    PQP!
    fiquei com as pernas bambas ao ler esse texto, acho que todo mundo que é casado tem.
    esse blog é um diario vivo né? espero que ajude.

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  4. Pri Sganzerla, estou ansiosíssima para ler seus posts de amanhã! Beijos!

    Pri, esse blog está me proporcionando um encontro gostoso com o que sempre foi importante. Só virou blog porque acho gostoso escrever para alguém ler! Beijos!!!

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  5. Oi Janine,

    muito legal teu texto.
    Eu já escrevi sobre recomeço e agora sobre separação, mas, confesso que um depende do outro, porque toda separação é uma nova etapa, um novo recomeço.

    bjs, e adorei teu espaço, já vim e fiquei!

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  6. Albuq, seja muito bem vinda! Bjs,

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  7. Tem que se ter coragem para buscar a felicidade, sair do comodismo! Recomeçar, repaginar, reaprender a viver sozinha, reaprender a ter momentos de solidão, reconstruir uma vida novinha em folha, preservando os bons momentos, os bons sentimentos que foi vivido na relação.
    Eu ainda estou aprendendo. É difícil, mas mais difícil ainda é viver uma relação que já passou do ponto. E não é que ela não tenha dado certo, ela deu sim, durante todo o tempo em que estiveram juntos.
    O sofrimento será inevitável, mas passa com o tempo. É aprendizado, é crescimento! Você aprende a se amar mais. É dai que você aprende a identificar o quer não quer realmente da vida, das pessoas, do trabalho....
    Mudar é sempre bom, traz um friozinho na barriga, embora a insegurança as vezes mostre a sua cara... Mas a coragem é sempre mais forte!

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  8. É, tem que ter coragem mesmo. Mas ninguém gosta de viver acompanhado e só. Li um texto da Martha Medeiros uma vez em que ela dizia que a separação é um ato de amor. E é mesmo, porque você liberta não só a si próprio como o outro também para uma vida melhor. Não adianta insistir naquilo que não tem mais conserto. A dor vem, não só a solidão como o sentimento de fracasso. Mas isso afortunadamente serve para pautar melhor as escolhas futuras, o respeito próprio. Eu nem tinha consciência antes de viver a separação de tudo isso que você descreveu com tanta sensibilidade.

    Obrigada pelo lindo post.

    Beijos.

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  9. Jan,
    tomei esta providência aos 29 anos e saí de casa com tres filhos assustados, sete trouxas arrumadas às pressas,nenhum vínculo empregatício para dar segurança,mas, minha linda, lhe afirmo:jamais senti vazio aos domingos, minha alma nunca foi tão farta de entusiasmo, alegria e planos para o futuro. Até hoje é minha maior e mais concreta experiência de felicidade. E olhe que o meu "depois" foi pesado! O tempo se encarregou de soprar ternuras no ardor das feridas, até passar, ficar no passado. Hoje eu e meu ex- marido somos amigos muito mais do que a adequada medida da civilidade sugere. Vá em frente pois voce é a única responsável por construir o seu mundo melhor! Boa sorte! bj.

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  10. Ah! tem uma frase oportuna que eu adoro, pois quebra a hegemonia do Paradigma Xuxa ("Acredite no seu sonho, etc"):
    "Quando abre mão de um sonho, voce ganha liberdade." (prefiro essa pegada mais sartreana, existencialista!!)

    Quando alguma coisa fica emperrada, me digo essa frase e toco o barco pra frente!O fundamental é manter a espinha ereta e a mente quieta.
    Another kiss for you, girl! Go!

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  11. Eu já vivi uma separação na pele mas confesso que minha experiência foi muito diferente da sua...a minha separação foi minha grande salvação, fiquei muito feliz (pra não dizer aliviada) depois de encerrar o processo. Foram anos de muita dor e desilução antes do divórcio. Chorei tudo que tinha de chorar...antes. Depois, só vieram alegrias e a constatação de que a vida flui - mas para que flua, às vezes é preciso mudarmos o rumo.

    5 anos depois da separação, todos estamos mais felizes. E eu convivo melhor com meu ex hoje do que antes. Até porque, temos a guarda alternada de nosso filho, hoje com 10 anos. Tudo muito evoluído mesmo, rsrsrs (principalmente quando vejo outros casais separados).

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  12. " O tempo é o melhor remédio", sem dúvida!

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